terça-feira, 8 de março de 2011

Um longo abraço.

  Foi um momento surdo, um momento mudo. Ele acariciava meu rosto e chorava sobre minha cabeça. Seu peito me confortava . Entre suas palavras de dor, meu cérebro, automaticamente criava imagens dos fatos.  Oque me assombrava  ainda mais.
 Diante de tanto sofrimento , não me aguentei e comecei a derramar meu pranto também. Suas lágrimas  se confundiam às minhas. As vezes ele parava de falar. Dava uma respirada funda e voltava. Eu me sentia tão entendida com ele, ali, naquele momento. E tenho certeza que ele sabia que eu o entendia também.
 No meio daquele frio, o seu calor humano me esquentava. Ouviamos a felicidade dos outros e compartilhavamos a  nossa tristeza. Eu, por vários momentos quiz pronunciar algo que o consolasse.  Me encorajava e depois me desencorajava, e acabei por ficar calada.
  Estávamos tão sozinhos, mesmo com tantas pessoas que nos cercávamos. Parecia que estávamos envolvidos por uma cápsula. O tempo passou, ele se cansou e o silêncio sobressaiu. Nossas lágrimas já estavam secas. Continuávamos ali, abraçados. Ele já não acariciava mais meu rosto. Sua respiração já me encomodava. O frio passara, e já sentíamos calor. Calor suficiente para nos distanciarmos. Eu olhei  para seus olhos, saindo daquele abraço. Aquele meu olhar disse tudo que em palavras eu não soube dizer. Dei um beijo em seu rosto e parti.

Caminhando pela solidão.

  Desnorteada , continuei andando e as lágrimas continuaram caindo, borrando a maquiagem . Era noite de lua cheia. Um vento forte e frio tocou nos meus cabelos, desmanchando o penteado . Já não tinha noção de tempo . Tudo que eu mais queria naquele momento, era não existir. Em desespero, tropecei em uma pedra,  que me fez quebrar o salto de um dos sapatos que calçava. Minha tristeza era tanta , que pouco me importava aquele sapato caro . Optei por andar descalça . Meio tonta, já não sabia em que local estava e muito menos o local em que queria chegar. Apenas continuei andando . E as lágrimas ? sim , continuaram caindo.
 
    A rua estava deserta , só havia alguns cães vira-latas , que por alguns minutos latiram pra mim, como se estivessem me expulsando dali. Mas não liguei, eram apenas cães.O sofrimento em meu peito me perturbava muito mais . Tentei cessar minhas lágrimas , ação que não teve muito sucesso . Alias , elas eram as minhas únicas companhias naquele momento. Olhei para o céu , e vi que a lua também me acompanhara desde o início daquele caminho sem rumo.
      Parei de andar , parei de chorar . Foi como apertar "pause" em um filme. Só que ali , infelizmente era real, ou não . Uma luz branca, forte, convidou meus olhos para admirá-la . Durante uns 2 minutos eu fiquei ali , inebriada , diante de tanta beleza. Como uma lua pode ser tão bonita assim?
  Sai daquele momento inconsciente e continuei a caminhada sem meta . E continuei a encharcar meu rosto de lágrimas . Nada ali fazia sentido . Só apenas o sentido da dor .  
    Pressionei meus dedos , como se fosse socar algo. Estava com raiva . Raiva por sofrer tanto por alguém que é nada .
   Cansada , não tinha mais forças para continuar . Notei a existência de uma praça , que havia ali por perto , meio escondida . Fui até ela . Estava deserta , como tudo naquele lugar.  No meio das folhas secas , caídas no chão , caminhei até um banco , e me deitei lá . Sem me importa muito com os outros , alias não havia outros . Era só eu , minhas lágrimas e a lua . Enxuguei ás lágrimas . Dessa vez , não havia outras para substituí-las . Enfim, parei de chorar . Olhei para o céu, e a tão admirada  lua não estava mais lá . As nuvens à esconderam . Agora era apenas eu . Mais ninguém , mais nada . Fechei os olhos . O sono me alcançara . E dormir , com a esperança de que quando acordasse,tudo aquilo não passara de um terrível pesadelo.