Foi um momento surdo, um momento mudo. Ele acariciava meu rosto e chorava sobre minha cabeça. Seu peito me confortava . Entre suas palavras de dor, meu cérebro, automaticamente criava imagens dos fatos. Oque me assombrava ainda mais.
Diante de tanto sofrimento , não me aguentei e comecei a derramar meu pranto também. Suas lágrimas se confundiam às minhas. As vezes ele parava de falar. Dava uma respirada funda e voltava. Eu me sentia tão entendida com ele, ali, naquele momento. E tenho certeza que ele sabia que eu o entendia também.
No meio daquele frio, o seu calor humano me esquentava. Ouviamos a felicidade dos outros e compartilhavamos a nossa tristeza. Eu, por vários momentos quiz pronunciar algo que o consolasse. Me encorajava e depois me desencorajava, e acabei por ficar calada.
Estávamos tão sozinhos, mesmo com tantas pessoas que nos cercávamos. Parecia que estávamos envolvidos por uma cápsula. O tempo passou, ele se cansou e o silêncio sobressaiu. Nossas lágrimas já estavam secas. Continuávamos ali, abraçados. Ele já não acariciava mais meu rosto. Sua respiração já me encomodava. O frio passara, e já sentíamos calor. Calor suficiente para nos distanciarmos. Eu olhei para seus olhos, saindo daquele abraço. Aquele meu olhar disse tudo que em palavras eu não soube dizer. Dei um beijo em seu rosto e parti.
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