Corro em direção ao vão, me vejo em uma enorme fuga. Uma fuga sem caminho, mas fujo. E tento escapar de uma enorme escuridão, que a essa hora já me dominara por inteira. Cegou-me de maneira tão egoista, de maneira tão cega de amor. Mas eu corro, e corro mais , e mais. Não posso me entregar assim, sem ao menos tentar escapar, mesmo sabendo que não vou. Algo precisava sair, algo estava prestes a sair, e ... um grito. Um grito me escapara de dentro. Um grito que me tirou todas as forças, as que me fazia fugir de uma coisa que eu nem mesmo podia ver. Já com poucos sentidos, encontro-me esparramada no chão, quer dizer , acho que estou no chão. Meus gemidos de dor não a comovem, não a convence de desistir dessa perseguição tão bruta, tão a pavorosa. Tudo que eu mais queria era poder abrir os olhos e ver que tudo voltou ao normal, ver o sol brilhando em meu olhar. Mas já não fazia muita diferença fechar ou não meus olhos, de qualquer modo ela era tudo o que eu podia ver. Àquele momento eu só conseguia pensar em uma coisa: Fugir.
Rastejo-me, acabada, já me considerando morta. Mas reluto, com uma força que nem eu mesma pensei que poderia ter . E fujo de algo que não sei. E por um momento me sinto em fuga de mim mesmo, e é isso , estou fugindo de mim, estou com medo de mim, e rastejo-me mais ainda, ferindo ainda mais as feridas, enlouquecendo-me com cada pensamento que me vem à mente. Morrendo ..
O frio imediatamente se perde, dando lugar a um grande ar quente, que vai me sufocando a cada respiração. Eu paro, e com a ultima das forças, abro os olhos. Nada que vejo é nitido ,vejo apenas um embaço de claridade, que não me traz o refugio,e sim me queima, queima como fogo, e nem ouso tentar outra fuga, pois a saida da escuridão estava bem diante de meus olhos. Uma saida ilusórica, uma saida da qual não saio, e sim me queimo, de dor , de amor, de fogo, de morte.

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